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DESTAQUE: Estudo aborda as mulheres na história africana em MT

23/11/2021 às 10:00

DESTAQUE: Estudo aborda as mulheres na história africana em MT 

Dissertação sobre narrativa antirracista deu origem a livro ilustrado

Aegressa do Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistória) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cristina Soares, desenvolveu sua dissertação abordando o antirracismo no ambiente escolar e práticas pedagógicas que já rendeu diferentes resultados. A estudante desenvolveu inclusive o livro “Mulheres na história africana em Mato Grosso” a partir das contribuições coletadas durante o processo de pesquisa.

A pesquisadora conta que houve desafios na construção da narrativa antirracista no ambiente escolar. Ela conta que quando pensou em escrever a dissertação, a primeira ideia era de um material didático como parte das propostas do ProfHistoria. A proposta era construir um material sobre pessoas negras para que os estudantes negros pudessem construir sua identidade de forma positiva. “No entanto, quando cheguei na biblioteca da escola percebi que material não faltava, o que faltava era o material ser usado pelos professores”, conta Cristina Soares.

Segundo a mestra, a partir desta constatação ela decidiu fazer uma dissertação que discutisse o racismo no ambiente escolar e o motivo de os materiais sobre História e cultura africana e afro-brasileira não serem utilizados pelos professores na escola. “Os desafios são grandes para falar desse assunto, pois eu, como mulher negra, é impossível não falar do assunto com paixão, mas talvez a paixão no final das contas tenha sido o ingrediente para conseguir desenvolver melhor a temática”, destaca a mestra. Ela conta que a partir da dissertação ainda há desafios por uma história das mulheres negras protagonistas.

História das mulheres negras rendeu livro

Cristina Soares lembra que ao encontrar os materiais na biblioteca da escola, como os que falavam sobre História da África ou cultura afro brasileira havia a ausência da mulher como protagonista. Isso fez a pesquisadora ver que falar sobre as mulheres na história africana em Mato Grosso seria de extrema urgência e importância. “Temos muitos desafios quando tratamos de falar da história das mulheres, principalmente de mulheres negras, pois temos que entender a especificidade que cada uma tem. Não tem como falar sobre mulheres negras seguindo uma cartilha do feminismo europeu” ressalta.

A partir desta necessidade a egressa produziu o livro ilustrado “Mulheres na história africana em Mato Grosso”. A obra de 117 páginas fez parte da dissertação “Erguer a voz: a luta e a construção de uma narrativa antirracista no contexto escolar. Por uma história das mulheres negras protagonistas”, defendida este ano no ProfHistória. Para a mestra a pesquisa precisa prosseguir e tem muitas histórias para contar. “Há muito o que se falar ainda sobre Mãe Bonifácia, Maria Taquara e Tereza de Benguela. Essas mulheres representam luta e resistência”, reforça acrescentando que muitos documentos ainda precisam ser encontrados para trazer mais do que estas mulheres tem a dizer.

Nos planos de Cristina Soares está também a materialização do livro que recebeu o prêmio Tereza de Benguela neste ano. “Por enquanto temos o caderno pedagógico e o livro em PDF e eles estão circulando pelas escolas, estão contribuindo para a afirmação da identidade positiva dos estudantes. Nada se compara a isso. Quero poder publicá-lo e poder entregar uma versão impressa na mão de cada estudante desse estado. É um sonho, mas quem sabe se realize”, finalizou.

TAGS:UFMT PROFHISTÓRIA

FOTO: Divulgação



Fonte: Carlos Rocha Jornalista