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RESGATE CULTURAL:

05/04/2021 às 09:00

RESGATE CULTURAL: 
No próximo dia 7 de abril será inaugurada a exposição “Mulheres do Mato”, de Neide Silva, na sala Anderson Flores, do Cine Teatro, localizado na avenida Getúlio Vargas, em Cuiabá. Até o dia 27 de abril o público poderá conferir um pouco do trabalho da artista e psicóloga que tem construído uma sólida caminhada artística a partir da literatura e das artes plásticas.

Além das telas pintadas pela artista, a mostra também reúne poemas das escritoras Divanize Carbonieri e Marli Walker. De acordo com Neide, os trabalhos selecionados para a exposição tratam de mulheres indígenas e suas descendentes em situações desfavorecidas, de aculturamento. As telas expressam ainda a importância do resgate cultural para o fortalecimento dessas mulheres e de suas comunidades.

Para Aline Figueiredo, crítica de arte que assina a curadoria da exposição junto com Neide, as obras da artista mostram a vocação dela no combate às desigualdades sociais e na defesa da mulher. "O crítico Frederico Morais disse, mais de uma vez, que a renovação da arte brasileira viria da 'Província'. É verdade e eu acredito que é da periferia das nossas grandes cidades que estão surgindo esses novos talentos", explica Aline.

Marli Walker, escritora, considerou o trabalho como desafiador e instigante para criar poemas relacionados ao tema, principalmente quando se trata da poesia visual, que estabelece com o leitor um acordo que vai da imagem ao texto, à palavra, e vice-versa. "A mulher do mato é aquela que habita todas nós, em certa medida, e trazer essa ideia para a instância artística é um desafio e uma descoberta", disse a escritora.

FOTO: Divulgação

A exposição "Mulheres do Mato" faz parte de um projeto de mesmo nome que conta com o apoio da Lei Aldir Blanc (editais da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer – Secel). O projeto tem ainda a participação de Célia Soares (designer, mediadora cultural e fotógrafa).

Sobre Neide

Neide Silva, 47 anos, é descendente de indígenas e cresceu na periferia de Cuiabá, no bairro Pedregal. O interesse pela arte surgiu quando ela era ainda menina, inspirada pelo irmão, o também artista plástico Sebastião Silva. Ela acompanhava de perto as conversas dele e dos amigos que frequentavam o Ateliê Livre do Museu de Arte da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Neide Silva, 47 anos, é descendente de indígenas e cresceu na periferia de Cuiabá. 

Com cinco livros publicados, a escrita também é uma das paixões de Neide. Sendo eles: Cigamiguinho, Iribi Sabiá, Sabina – A sapinha bailarina, Kaike e Elvis e Lola. Sua sexta obra literária está em fase de edição e trata-se de "O Reino que Ruiu", selecionada no edital Aldir Blanc da Prefeitura de Cuiabá (MT).

O primeiro livro, Cigamiguinho, teve seu insight para a criação durante a gravidez do filho mais novo de Neide, Norberto, quando ela tinha trinta e sete anos. "Naquele momento, eu entendi que seria através da escrita que eu poderia me comunicar com as pessoas e incentivar aqueles que, assim como eu, vieram da periferia, não tiveram muito incentivo ao estudo durante a infância, têm pais e avós analfabetos. A escrita seria o meu grito de socorro e a minha forma de dar força para tantas pessoas que se julgam incapazes de criar arte e fugir dos destinos que estão postos por uma vida de miséria e limitações", destaca Neide.

A relação com a pintura se intensificou há quatro anos e, por meio dela, Neide Silva procura caminhos e se aventura por diversos estilos. Ela não tem medo de experimentar, sabe que a arte é também um exercício de coragem. Como ressalta Aline Figueiredo, a coragem e motivação de Neide fazem com que ela se supere a cada quadro, colecionando mais acertos do que erros.

Fonte: Da Redação - Michael Esquer