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TURISMO NA COPA: Pantanal e Nobres comemoram

01/07/2014 às 09:10

Os principais pontos turísticos localizados próximos a Cuiabá sentiram a diferença de público neste mês de junho, quando a Capital de Mato Grosso sediou 4 jogos da Copa do Mundo. Pantanal e Nobres foram os mais movimentos na avaliação dos profissionais do turismo, enquanto Chapada dos Guimarães e Jaciara perceberam apenas uma mudança no perfil dos visitantes. Para o setor, investimentos do governo do Estado teriam garantido um melhor aproveitamento do potencial turístico.

Composto por fauna exuberante e flora diversificada, o cenário do Pantanal foi conhecido por centenas de pessoas nos últimos dias. Os números começam ser levantados a partir da próxima semana pela Secretaria de Turismo de Poconé (104 km ao sul de Cuiabá) junto aos hotéis da região.

O guia turístico Vanderlei Pimenta frisa que a procura pelo roteiro foi bastante satisfatória e elevou o número de visitações de uma média de 2 mil, em períodos fora da Copa, para 25 mil em 10 dias. O que considera excepcional e fortalecedor para o turismo local. “Estou muito otimista com o pós-Copa, acredito que vá melhorar ainda mais”. Passeios de barco e pela Transpantaneira conquistaram quem esteve na região. E muitos prometeram voltar. “Fomos muito elogiados e os roteiros saíram dentro do esperado. As pontes foram recuperadas e não tivemos problemas”.

A secretária Mariana Petronilia frisa que muitos estrangeiros estiveram no Pantanal e aproveitaram para conhecer Poconé, em um intercâmbio cultural interessante. “Apresentamos as nossas danças e costumes aos que vieram e eles também nos mostraram a cultura de seus países. Ainda temos grupos de peruanos e paraguaios na cidade e isso é muito positivo”.

Distante 146 quilômetros de Cuiabá, a cidade de Nobres ampliou a movimentação diária de 20 para 100 visitantes de diversas nacionalidades. Colombianos, chilenos, russos, ingleses, coreanos, japoneses, australianos, entre outros turistas de dentro e fora do Brasil, quiseram ver de perto as belezas naturais do pequeno município. A guia turística Nerilde Sprey, 34, que há 8 anos atua no segmento, conta que a principal procura era pela atividade de flutuação nas águas cristalinas ao lado dos peixes.

A região de Bom Jardim, em Nobres, conta com pelo menos 12 atrações que permitem visitação em um dia. “Os turistas ficaram doidos, queriam fazer tudo. Conhecer cachoeira, trilhas, tudo. Mas o passeio preferido foi a flutuação”.

Nerilde relata que existia uma expectativa entre os guias turísticos quanto ao aumento das visitas durante o período da Copa, porém a falta de investimento em divulgação da cidade criou um certo receio. “Por fim, a procura foi tanta que nos surpreendeu. Tiveram dias que cheguei a pensar que não conseguiríamos atender a todos, mas conseguimos. Recebemos até um pessoal da Fifa”.

Agora, a expectativa da guia é que a cidade seja conhecida mundialmente e a procura pelo roteiro fique aquecida no pós-Copa. Na avaliação do secretário municipal de Turismo, Cleber Oliveira Leite, o número de visitantes ficou abaixo do esperado pela administração pública. Cita que esta época do ano a cidade já conta com uma visitação natural, por se tratar de um período de férias. Mas assim como Nerilde, ele acredita que a Copa deixa como legado a apresentação de Nobres para o mundo. “Os hotéis, por exemplo, não tiveram a lotação esperada. Mas independente disso, fomos apresentados para o mundo todo”.

Leite comenta que os investimentos do governo do Estado na cidade turística não chegaram a tempo para a Copa. Porém, garante que algumas melhorias começam a ser implantadas ainda este ano, como sinalização bilíngue. A falta de investimento por parte do governo também
é uma reclamação de gestores e empresários de Chapada do Guimarães (67 km ao norte), que esteve com vários pontos turísticos fechados por falta de atenção adequada do Poder Público.

Empresário do turismo, Alberto Krebs frisa que Chapada dos Guimarães foi usada como justificativa do governo para trazer a Copa para Cuiabá, mas não recebeu nenhum investimento prometido, além de ficar de fora de programas que poderiam incentivar ainda mais o turismo. “Chapada não foi incluída em nenhum programa, como o Cama-Café, entre outros. Ficou esquecida e desorganizada”.

Assessor técnico da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, Davi Santana complementa que a rodovia não foi duplicada, a Salgadeira estava fechada, outros pontos turísticos também. “Isso desmotivou os comerciantes a investirem”. Ele aponta que existiu uma movimentação dos estrangeiros, o que atribuiu à fama já conquistada pela cidade mato-grossense conhecida pelo relevo encantador e cachoeiras. “Tivemos bastante visitas no Véu de Noiva, Igreja, praça, Sala de Memória. Mas nosso potencial é muito maior que isso. A falta de investimento prometido pelo governo deixou os turistas com poucas opções de visitação”.

O empresário comenta que apesar da ausência do governo, este foi um bom momento, de bastante movimentação. “Recebemos estrangeiros de vários países, vendemos muitos pacotes de turismo com passeios pelo Parque Nacional, visitação de cachoeiras. Mas a impressão do turista saberemos somente no futuro”.

Apesar da movimentação, assim como Santana, Krebs reclama da falta de participação do Poder Público para preparar a cidade para este período histórico. Conhecida pelas corredeiras e cachoeiras que permitem o rapel e rafting, Jaciara também desfrutou da Copa do Mundo, porém em menor escala que os demais roteiros. Sul-americanos, australianos, japoneses e muitos brasileiros de outros estados marcaram presença na cidade.

Segundo o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico de Jaciara, Sérgio Lúcio da Silva, a cidade conta naturalmente com um público de visitação e neste período de Copa o que mudou foi o perfil. “Nossos visitantes geralmente são mato-grossenses. Este mês mudou apenas as pessoas, a movimentação é sempre grande”.

A auxiliar administrativo Adrielli Diedrich, do Balneário Termas, um dos mais movimentados de Jaciara, relata que o maior movimento de estrangeiros foi de chilenos, que compareceram em um grupo de 150 pessoas, após o jogo da seleção. Depois, a maioria dos turistas era de outros estados do Brasil. “Muitos não conseguiram hotel em Cuiabá e se hospedaram aqui, aproveitaram para conhecer”.

Silva acredita que o impacto da Copa será sentido no futuro e destaca que ainda são necessários investimentos e incentivos para que todo potencial turístico da cidade seja aproveitado. Secretário de Estado de Turismo, Jairo Pradela não deu retorno à reportagem para falar sobre o assunto.

Fonte: Raquel Ferreira, repórter A Gazeta